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St. Moritz, o eterno sol dos Alpes

Sol brilhante e neve perfeita. St. Moritz é uma das mais exclusivas estâncias de ski da Europa, tão famosa pelos desportos de inverno, quanto pelo glamour da sua vida social. Perdemo-nos nas montanhas, nos hotéis singulares, no luxo de cada detalhe, envolvidos pela pureza do ar gelado. Como uma ilustração do requinte alpino.

  • Texto: Ivan Carvalho
  • Fotografia: Luigi Fiano
17 de Junho, 2026

Quando as temperaturas descem e a neve começa a cobrir os Alpes, os viajantes mais experientes optam por destinos de montanha testados e comprovados para se entregarem aos desportos de inverno e a momentos de lazer.

Na Suíça, a paragem obrigatória continua a ser Engadine e a sua jóia da coroa: St. Moritz. Situada a 1.800 metros acima do nível do mar, a estância está num vale longo e largo com vistas panorâmicas e sol durante todo o ano – há décadas que o logótipo do Turismo de St. Moritz tem sido, precisamente, uma imagem do sol com o slogan “topo do mundo”, para enfatizar a vocação de hospitalidade de excelência. St. Moritz há muito que vive da sua imagem de playground glamoroso para aqueles que gostam de ser vistos e que gostam de compras – as suas ruas estão repletas de lojas com a elite das marcas de moda e acessórios.

Em St. Moritz, é comum satisfazer todos os caprichos dos visitantes e o calendário de inverno está repleto de eventos importantes, como jogos de polo no lago gelado, a feira de design Nomad e corridas de esqui no âmbito do Campeonato Mundial de Esqui Alpino FIS Audi.

No entanto, os visitantes também vêm esquiar ou jantar num dos muitos restaurantes de luxo, a maioria dos quais situados nos famosos hotéis da cidade. Grande parte do prestígio da estância está ligado precisamente à sua coleção de grandes hotéis, incluindo a Suvretta House e o lendário Badrutt’s Palace. Estes complexos hoteleiros, que lembram castelos, garantem todos os mimos aos seus hóspedes – uma vez, a pedido de um desses hóspede, o staff do Badrutt’s foi buscar um elefante a um circo itinerante para que o animal entregasse à sua mulher um presente de aniversário com a tromba.

No entanto, para além desta fachada espetacular, é possível encontrar um outro lado da cidade, mais simples e subtil (duas palavras que normalmente não se aplicam a este local de férias de inverno). Entre as ofertas mais discretas estão as novas propostas da indústria hoteleira. Em primeiro lugar, o próprio Badrutt’s Palace vai inaugurar um novo edifício, a ala Serlas, uma estrutura de seis pisos envolvida por uma fachada limpa e minimalista que contrasta com o espaço principal do hotel, localizado no outro lado da rua, um castelo de conto de fadas com 128 anos de idade, que oferece vistas deslumbrantes sobre o lago e as paisagens montanhosas circundantes.

Esta ampliação, concebida com extremo bom gosto pelo estúdio de Milão ACPV, dirigido pelos famosos arquitetos Antonio Citterio e Patricia Viel, terá 25 suites e apartamentos com interiores elegantes e suaves, valorizados por mobiliário de design italiano, pavimentos em pedra e revestimentos de parede em painéis com tecido de lã. Ao fundo da rua do Badrutt’s, existe outra novidade relativamente recente, o Hotel Grace La Margna, com 74 quartos. Inaugurado em agosto de 2023, o projeto é uma remodelação de um hotel que data do início do século XX.

Além do edifício existente, a empresa londrina Divercity Architects e a designer de interiores francesa, Carole Topin, criaram também uma nova ala, mais minimalista, com restaurantes formais e informais, incluindo o recém-chegado conceito de refeições Beefbar, um spa e uma loja onde os entusiastas dos desportos de inverno podem explorar design de alta performance de empresas como a suíça Zai, fabricante de esquis, cujos modelos de luxo, feitos a partir de materiais exóticos como o granito local, são produzidos no cantão dos Grisões.

“Esta receita é um pouco nostálgica para mim, pois faz-me lembrar as férias de inverno passadas com o meu avô, quando ele comia tangerinas e atirava as cascas para a lareira, deixando um aroma que ainda hoje recordo”

Cocktails criativos

Com o objetivo de se destacar dos seus concorrentes, o Grace Hotel optou por evitar o calendário sazonal e permanecer aberto durante todo o ano para acolher os amantes das deslumbrantes paisagens alpinas e do revigorante ar da montanha. Um dos destaques do Grace que não deve perder é o aperitivo no bar N/5 ao anoitecer, onde os clientes podem sentar-se ao balcão de sete metros de comprimento, revestido com elegante mármore de Carrara, e assistir ao talentoso mixologista Mirco Giumelli na preparação das suas bebidas de assinatura – experimente o Fermento, elaborado com um licor italiano com bergamota.

Giumelli é natural da vizinha Chiavenna, uma povoação alpina do outro lado da fronteira, em Itália, onde encontra inspiração para outra das suas bebidas, o Mandarin Fizz, servido num copo alto com vodka, sumo de limão fresco, água com gás, uma pitada de açúcar e licor de tangerina caseiro.

“Esta receita é um pouco nostálgica para mim, pois faz-me lembrar as férias de inverno passadas com o meu avô, quando ele comia tangerinas e atirava as cascas para a lareira, deixando um aroma que ainda hoje recordo”, explica Giumelli.

Os que procuram um ambiente after hours menos glamoroso podem dirigir-se ao piano bar do Hotel Schweizerhof. Revestido a madeira, com luzes baixas, neste espaço noturno pode descontrair com um charuto e um whisky, um copo de champagne ou um cocktail exótico concebido pelo barman residente, Ahmed El Sayed, conhecido por todos simplesmente como “Sam”.

Prepare-se para saborear criações extravagantes, incluindo a divertida bebida Purple Rain ou o seu cocktail Ponce feito com tequila, orégãos mexicanos, refrigerante de toranja, coentros e o tempero “pimenta e limão”.

A mesa de St. Moritz

Além dos grandes hotéis da cidade, é possível encontrar jóias culinárias escondidas para satisfazer o paladar mais exigente. Oculta num chalé acima da praça principal da cidade, descobrimos a acolhedora sala de jantar do Krone, restaurante com uma estrela Michelin com apenas 24 lugares que está a dar passos largos no sentido de ganhar a atenção dos gourmands.

A cozinha é supervisionada pelo chef Stefano Ciabarri, 37 anos, natural de Chiavenna que anteriormente esteve em grandes restaurantes, como o Joia, um conceituado restaurante vegetariano em Milão, e o prestigiado Geranium
em Copenhaga.

No Krone, Ciabarri trabalha semanalmente com os seus fornecedores de ervas da montanha, legumes e carne para encontrar os melhores ingredientes e depois transformá-los em obras-primas visuais. Entre os tesouros locais, o chef escolhe queijo bitto de Valtellina, que pode ser envelhecido durante mais de 10 anos, e missoltino – uma conserva salgada e seca feita a partir das espécies de peixe que se encontram em cursos de água próximos, como o Lago de Como.

“A minha abordagem é direta. Não quero pratos demasiado complicados”, explica Ciabarri, que escolhe não usar louças exageradas, preferindo pratos elegantes e arredondados, com aperitivos saborosos, como alcachofra assada com molho de pinhão fumado ou uma truta alpina servida como ceviche em manteiga de leite caramelizada e óleo de estragão. Entre os seus pratos favoritos durante os meses frios está o ravioli de abóbora, com cogumelos porcini, cozido num caldo de perdiz e morrilles (cogumelos morchella).

Na sala de jantar do Krone, a sua colega Viktoria D’iachenko recebe os clientes e é responsável por uma seleção de vinhos de produtores locais, suíços, como Thomas Marugg, que faz um blend de Riesling-Sylvaner em Fläsch, ou um espumante rosé vibrante, produzido a partir da casta Nebbiolo de uma pequena quinta em Valtellina.

Os que anseiam por descer as pistas de esqui vão ter uma surpresa, pois até as opções de almoço em St. Moritz estão ao mais alto nível.

Nas deslumbrantes pistas de Corviglia, podemos encontrar o sofisticado grupo de restaurantes de Milão, Langosteria, num elegante chalé com capacidade para 200 pessoas no interior e na esplanada. É especializado no marisco mais fresco e em combiná-lo com uma carta de vinhos premium. Entre os favoritos do menu está a pappa al pomodoro com amêijoas, um twist a um clássico da Toscana, e a frittura de camarão vermelho, lagostins e lulas servida com um delicioso molho de maionese de wasabi.

Do outro lado da estrada gelada que parte da Langosteria, encontra-se o Celeste, um bistrot chique de montanha, onde o proprietário, Fabio Rovisi, gosta de falar com os seus clientes e explicar a sua filosofia. Depois de passar pela área financeira em Zurique, Rovisi, natural do Trentino, em Itália, tornou-se um empresário no setor gastronómico – ele e a sua mulher também são proprietários do Krone – e conta como quer manter as coisas simples, mas elegantes. “Oferecemos uma cozinha italiana que mistura tradição, sabores distintos e um toque de modernidade.”

Os esquiadores descontraem ao almoço com entradas como gnocchi de ragu de borrego e uma massa paccheri com cacio e pepe que utiliza queijo bitto. Para os mais gulosos, há um belo poussin assado com batatas assadas no forno e um molho béarnaise caseiro.

O prazer das compras

De volta à cidade, os visitantes em busca de algo especial para levar para casa podem passar pela pastelaria Hanselmann, casa com mais de 125 anos e que se situa num edifício com as tradicionais marcas decorativas de esgrafito na fachada, um pormenor arquitetónico comum em Engadine. Aqui, não deixe de pedir o clássico Engadiner Nusstorte, um bolo denso de caramelo e nozes que é  tão suíço como um prato de Rösti.

Como terapia de compras, quem procura roupa elegante além do universo das casas de moda de luxo convencionais que se encontram noutras zonas da cidade, pode aventurar-se na nova boutique de dois andares da marca italiana Sease. Fundada por Franco e Giacomo Loro Piana, descendentes da famosa marca italiana de caxemira, a dupla criou uma coleção inteligente de activewear para a montanha que mistura fibras naturais e têxteis de alta tecnologia.

Descubra o bom gosto da sua seleção de casacos, coletes e calças para esquiar que evita a paleta de cores berrantes da concorrência.

Se for necessária uma dose de cultura, há boas notícias, pois o cinema local da cidade, o Scala, reabriu após quatro anos de obras e, tal como o hotel Grace, pretende manter as suas portas abertas durante todo o ano. Concebido numa estrutura sumptuosa, o escorrega que atravessa o foyer desde o segundo andar até à cave merece ser experimentado.

O edifício alberga, naturalmente, um museu dedicado ao bobsleighing, uma vez que a cidade acolhe a Cresta Run, a lendária pista de tobogã natural para corridas no gelo. Mas a principal atração é a sala de cinema e os seus 107 assentos vermelhos de veludo – os que estão na fila da frente podem relaxar colocando os pés nos bancos.

Se já estiver cansado do ar rarefeito da altitude e das ofertas de luxo, uma alternativa é procurar um remédio suíço clássico para aquecer o coração e confortar o estômago: fondue. Os puristas optam por uma mesa no restaurante Caschölin, na cave do Hotel Steffani. No ambiente pitoresco adornado com  cartazes do glorioso passado da cidade como anfitriã por duas vezes dos Jogos Olímpicos de inverno, prove o fondue enquanto bebe um copo de Chasselas, a casta branca de corpo leve que melhor combina com este prato tradicional de queijo. A proprietária pertencente à quarta geração, Francesca Sostmann-Maerky, é a anfitriã e recomenda que se junte um shot de Kirsch, uma bebida destilada feita a partir de cerejas ácidas, na mistura de queijo, juntamente com pimenta preta acabada de moer.

“Este é o pináculo da Suíça”, diz ela com um grande sorriso, enquanto mexe no sentido dos ponteiros do relógio para manter o queijo bem cremoso. Esta talvez seja a melhor maneira de concluir uma experiência de inverno nos Alpes suíços. Inesquecível.

Quando as temperaturas descem e a neve começa a cobrir os Alpes, os viajantes mais experientes optam por destinos de montanha testados e comprovados para se entregarem aos desportos de inverno e a momentos de lazer.

Na Suíça, a paragem obrigatória continua a ser Engadine e a sua jóia da coroa: St. Moritz. Situada a 1.800 metros acima do nível do mar, a estância está num vale longo e largo com vistas panorâmicas e sol durante todo o ano – há décadas que o logótipo do Turismo de St. Moritz tem sido, precisamente, uma imagem do sol com o slogan “topo do mundo”, para enfatizar a vocação de hospitalidade de excelência. St. Moritz há muito que vive da sua imagem de playground glamoroso para aqueles que gostam de ser vistos e que gostam de compras – as suas ruas estão repletas de lojas com a elite das marcas de moda e acessórios.

Em St. Moritz, é comum satisfazer todos os caprichos dos visitantes e o calendário de inverno está repleto de eventos importantes, como jogos de polo no lago gelado, a feira de design Nomad e corridas de esqui no âmbito do Campeonato Mundial de Esqui Alpino FIS Audi.

No entanto, os visitantes também vêm esquiar ou jantar num dos muitos restaurantes de luxo, a maioria dos quais situados nos famosos hotéis da cidade. Grande parte do prestígio da estância está ligado precisamente à sua coleção de grandes hotéis, incluindo a Suvretta House e o lendário Badrutt’s Palace. Estes complexos hoteleiros, que lembram castelos, garantem todos os mimos aos seus hóspedes – uma vez, a pedido de um desses hóspede, o staff do Badrutt’s foi buscar um elefante a um circo itinerante para que o animal entregasse à sua mulher um presente de aniversário com a tromba.

No entanto, para além desta fachada espetacular, é possível encontrar um outro lado da cidade, mais simples e subtil (duas palavras que normalmente não se aplicam a este local de férias de inverno). Entre as ofertas mais discretas estão as novas propostas da indústria hoteleira. Em primeiro lugar, o próprio Badrutt’s Palace vai inaugurar um novo edifício, a ala Serlas, uma estrutura de seis pisos envolvida por uma fachada limpa e minimalista que contrasta com o espaço principal do hotel, localizado no outro lado da rua, um castelo de conto de fadas com 128 anos de idade, que oferece vistas deslumbrantes sobre o lago e as paisagens montanhosas circundantes.

Esta ampliação, concebida com extremo bom gosto pelo estúdio de Milão ACPV, dirigido pelos famosos arquitetos Antonio Citterio e Patricia Viel, terá 25 suites e apartamentos com interiores elegantes e suaves, valorizados por mobiliário de design italiano, pavimentos em pedra e revestimentos de parede em painéis com tecido de lã. Ao fundo da rua do Badrutt’s, existe outra novidade relativamente recente, o Hotel Grace La Margna, com 74 quartos. Inaugurado em agosto de 2023, o projeto é uma remodelação de um hotel que data do início do século XX.

Além do edifício existente, a empresa londrina Divercity Architects e a designer de interiores francesa, Carole Topin, criaram também uma nova ala, mais minimalista, com restaurantes formais e informais, incluindo o recém-chegado conceito de refeições Beefbar, um spa e uma loja onde os entusiastas dos desportos de inverno podem explorar design de alta performance de empresas como a suíça Zai, fabricante de esquis, cujos modelos de luxo, feitos a partir de materiais exóticos como o granito local, são produzidos no cantão dos Grisões.

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