O grupo Fladgate, que controla as marcas de vinho do Porto Taylor’s, Fonseca, Croft e Krohn está lançando seus primeiros vinhos não fortificados do Douro, em Portugal. Em meados de 2021, o grupo comprou a Quinta Vale do Bragão, uma propriedade com 24 hectares de vinhedo que está no recortado vale de Mendiz, que possui alguns dos vinhedos mais nobres do Cima Corgo, como a vizinha Quinta da Terra Feita, de Taylor’s, Quinta do Noval, Quinta do Passadouro e Quinta do Cruzeiro, de Fonseca.
A Quinta Vale do Bragão tem como destaques a Touriga Nacional e algumas parcelas de vinhas velhas, onde as diferentes variedades não estão separadas por parcelas. Cerca de 1,5 hectare também está dedicado às castas brancas, como Rabigato, Códega e Viosinho.
Até agora foram lançados apenas o Quinta do Vale do Bragão Colheita branco e o Colheita Rosé, da safra 2020, a primeira que esteve sob supervisão da equipe de Fladgate. Tiago Machado, enólogo do grupo, comentou que um branco da linha reserva, fermentado em barricas de carvalho, também deve sair em breve, assim como as novas safras dos tintos, que ainda estagiam nas barricas. “Nos tintos estamos mudando o estilo do vinho, fazendo extrações mais curtas e suaves, tirando o peso dos taninos, deixando a fruta mostrar sua personalidade”, comentou o enólogo.
O diretor de enologia de Fladgate, David Guimarães (foto), afirma que o propósito principal da compra de Bragão foi pela vocação para produzir o vinho do Porto. “Além da questão comercial, que há tempos nos pedem vinhos de mesa (não fortificados), estes vinhos representam nosso protesto frente a atual realidade do Vinho do Porto”, disse David.
“A lei que rege o Porto é de 1933, está fora da atual realidade. Hoje não há estímulo para o lavrador produzir uvas de qualidade para o Porto. Hoje é mais fácil comprarmos uma quinta em vez de receber uvas sem o nosso padrão de qualidade”, completou o diretor de enologia.
Além da demanda por vinhos de mesa, as vinhas de Bragão permitem esta versatilidade, para produzir uvas para Porto e vinhos não fortificados. As parcelas mais baixas estão a 80 metros de altitude, onde há maior qualidade para o Porto, e o vinhedo sobe aos quase 500 metros de altitude, onde há maior frescor para brancos e tintos de mesa. E David Guimarães finaliza com sua habitual sinceridade provocadora: “Talvez nunca tenhamos um vinho de mesa com mais de 98 pontos mas agora atendemos uma demanda do mercado e deixamos claro nosso descontentamento com as atuais leis do Vinho do Porto”.
Quinta do Vale do Bragão Colheita branco 2020
Douro, Portugal
Sem importador no Brasil
89 pontos
Feito com Viosinho, Rabigato e Arinto, sem passagem por madeira. Um branco limpo e exuberante mas que não se restringe às frutas. Além de lima, nectarina e abacaxi fresco, há toques de ervas frescas (arruda) e destaca-se a delicada cremosidade, seguida de notas de pão tostado e amêndoas, resultado do trabalho com as lías. Um ótimo equilíbrio entre a textura e o frescor. Um vinho branco para se beber despretensiosamente, sem arestas e nenhum excesso. Um ótimo passo de entrada para a nova fase da vinícola.